Ayurveda, sua linda!

May 22, 2017

Como já mencionei em alguns posts, sou uma pessoa de fases. Acabo descobrindo alguma coisa nova e fico meio obsessiva para saber mais sobre o assunto e leio tudo que posso para conhecer o máximo possível até cansar. Eventualmente, algumas coisas vão, mas nunca sem deixar algum tipo de ensinamento. A Ayurveda foi um desses casos de paixão-compulsão-insane.

Tudo começou quando li, sem esperar muita coisa, o livro de receitar ayruvédicas da Laura Pires, O sabor da harmonia. Adoro um livro de receitas. E receitas diferentonas and saudáveis mais ainda.

O que eu não contava descobrir é que as receitas ayurvédias são apenas uma pequena parte do universo da Ayurveda. Este conhecimento/sabedoria milenar abarca todos os lados da nossa existência. Ensina, à grosso modo, como aplicar uma filosofia de vida, respeitando a sua individualidade, buscando prevenir doenças, e consequentemente, promover a saúde e qualidade de vida.

 

Na Organização Mundial da Saúde, a Ayurveda é inclusive considerada um sistema médico, com comprovação científica, eficaz para contribuir no aperfeiçoamento da saúde da humanidade. Portanto, essa sabedoria originada da Índia, datada de mais de cinco mil anos, não é uma dieta da moda, tampouco um conceito místico, mas sim uma ciência, com impactantes efeitos naqueles que a seguem. Tanto é que a palavra Ayurveda, do sânscrito, advém da junção da palavra Ayus, que quer dizer "vida" e Veda, que se refere à "ciência" ou "conhecimento". É a ciência da vida. 

 

 

 

 

 

Antes de mais nada, preciso deixar claro que tudo que eu aqui escrevo tem como referência tanto o livro da Laura Pires acima mencionado, quanto os livros: Nutrindo seus sentidosAyurveda: saúde e longevidade na tradição milenar da Índia; e Filosofia de bem viver (falei que foi um momento bem obsessiva, né mores? Me deixem).

Pois bem, migos. E como seria essa filosofia de vida? Por razões óbvias (oi, olha a quantidade de livros sobre o assunto), não tem como resumir um tema tão complexo. 

 

O que dá para citar superficialmente é que a prevenção das doenças e a manutenção da saúde de nossos corpos, espíritos e almas, depende de vários fatores, os quais se equilibram basicamente com a aplicação de uma rotina saudável, com hábitos, comportamentos e pensamentos sadios e que, principalmente, encontrem conexão com os ritmos da natureza e a observem a teoria dos opostos. 

Se mantivermos hábitos e comportamentos prejudiciais, em completa desconexão com os instintos mais primitivos da natureza e da nossa individualidade, e aqui se inclui uma alimentação ruim, passamos a acumular toxinas no organismo, as quais são denominadas de ama. Essas, por sua vez, são, de acordo com a Ayurveda, as principais causas de adoecimento das pessoas. 

 

A forma de "ingestão" dessas toxinas vem de todos os nossos sentidos e das nossas emoções, e a maneira mais saudável do nosso corpo metabolizar todo esse material recebido do ambiente é por meio de um agni forte (fogo digestivo). Há outros elementos também a se considerar para garantir uma boa saúde. Mas, para tornar o assunto mais simples e voltado para as alimentos, vou resumir desta forma. O importante é pensar que a saúde, no conceito da Ayurveda é muito mais amplo do que apenas um corpo são. É o"equilíbrio dos princípios vitais (doshas) e das enzimas metabólicas e digestivas (agnis), além de um adequado funcionamento dos tecidos (dhatus), dos produtos secundários do metabolismo (catabólicos) e das excretas orgânicas (malas), e que experimenta a felicidade no espírito, nos sentidos e na mente". 

 

Para verificar quais pequenas ações você tem que empregar no seu dia a dia para garantir todos os itens listados acima, é muito importante que você descubra o seu dosha.  

Para explicar o que é dosha, é preciso esclarecer (juro que é a última grande informação, gente) que, para a Ayurveda, todo o universo é composto de 5 grandes elementos, quais sejam: éter (ou espaço), ar, fogo, terra e água (E CORAÇÃO! brincs #sddscapitãoplaneta).

E no universo, nós nos incluímos, claro. 

 

 

 

 

 

Cada elemento tem um porquê, uma forma de atuação, uma qualidade no universo, os quais acabam se organizando em três princípios essenciais no nosso organismo: movimento, metabolismo e estrutura. Toda essa distribuição dos elementos é feita de maneira única no organismo, em proporções, portanto individuais, as quais acabam sendo responsáveis pelas funções do nosso corpo e mente, que é refletida na nossa constituição física e psicológica. O dosha, portanto, pode ser definido como esses "biótipos", que acabam por destacar um elemento (mas sempre temos todos eles) em cada pessoa. São eles: Vata (união de espaço e ar), Pitta (fogo) e Kapha (mistura de terra e água). 

 

AINDA ESTAMOS AI? RESPIRA FUNDO. PEGA NA MINHA MÃO E CONTINUA.

 

 

Para saber qual é o seu dosha, existem alguns testes (inclusive nos livros), mas o ideal para você ter certeza é ir num profissional especializado em Ayurveda, que pode analisar suas características de forma mais profunda, com os métodos corretos. Não transcrevo testes aqui por uma questão legal de direitos autorais dos livros que pesquisei, mas se você tem interesse, tem vários sites na internet que disponibilizam, assim como, obviamente, você pode comprar os livros que serviram de base para esse post. 

Passamos para as características de cada dosha. Em síntese, são:

 

VATA - com representação na junção de ar e éter, as pessoas apresentam-se fisicamente mais magras, com pele seca e sentem muito frio. São superativas, com dificuldade de dormir, por estarem sempre alertas, vez que tem uma mente rápida e ativa. Aprendem com facilidade, mas também esquecem com rapidez. Estão sempre em movimento e depressa, mudando de humor e de ideia o tempo todo. Em equilíbrio são felizes, alertas, criativos, ágeis, comunicativos, enérgicos. Em desequilíbrio ficam cansadas, ansiosas, angustiadas, com prisão de ventre e gases. Além disso, podem apresentar hipersensibilidade e instabilidade de humor e ações. 

 

PITTA - com representação no elemento fogo, as pessoas apresentam-se fisicamente com estrutura e constituição corporal média, tendo facilidade na transpiração, e avessas ao calor excessivo, assim como a exposição ao sol. Apresentam facilidade na digestão e possuem muito apetite e impulso sexual. São impetuosos, com grande inteligência, coragem e independência, mas também raiva. Em equilíbrio, mostram-se líderes natos, sabendo tomar decisões acertadas, a fim de buscar a realização de seus objetivos. Em desequilíbrio são impacientes, irritados e frustrados, apresentando comportamento agressivo e raivoso, além de poder sofrer de azia e má-digestão. 

 

KAPHA - com representação na mistura de terra e água, as pessoas apresentam-se fisicamente com estrutura corporal sólida, tendo facilidade de engordar. A pele é mais oleosa e a digestão lenta. Possuem pouco apetite e tem grande necessidade de sono. Transpiram pouco e detestam tempo frio e úmido. Psicologicamente, são mais lentos, aprendem devagar, mas tem excelente memória. São amáveis e emocionalmente estáveis. Não ficam bravos com facilidade. Em equilíbrio são calmos, pacientes, pensativos, amorosos e leais. Em desequilíbrio são preguiçosos, depressivos, letárgicos e rudes. Acabam por dormir demais e passam a resistir qualquer mudança.  

 

PS. Você pode ver mais sobre os doshas neste post da Laura Pires aqui.

 

Se identificou em algum? Mais de um? É normal combinarmos mais de um dosha, não sendo raro uma combinação balanceada de dois. Mas por fim, normalmente apresentamos um de forma mais predominante. Os doshas são importantes pois eles tem extrema conexão com o ritmo da natureza.

 

Os próprios desequilíbrios dela resultam em catástrofes naturais, como furacões (vata), calor excessívo (pitta) e inundações (kapha). Da mesma forma, cada período do dia é dominado por um dosha, que se mostra mais favorável a determinado biótipo. Isso se mostra relevante, porque quando aplicamos os hábitos diários ditados pela Ayurveda, a adoção de cada um irá variar dependendo do seu dosha

 

E como equilibrar o seu dosha? De acordo com a terapia dos opostos, já mencionada acima, entende-se que tudo que já é predominante não deve ser reforçado, para assim encontrar um equilíbrio. Ou seja, nesse caso, semelhante não deve atrair semelhante e sim buscar o oposto, aquilo que nos falta. Por exemplo, Vata deve ser equilibrado com o que é quente, úmido, oleoso (pois já é frio e seco), já Pitta deve prezar pelo frio e doce (porque é quente) e Kapha por algo que lhe esquente e compacte (pois é frio e largo). 

 

São inúmeras as ferramentas que o Ayurveda apresenta para que esse equilibro seja posto em prática, tanto por ações, pensamentos quanto por palavras.

 

Já que o meu objetivo é falar sobre a alimentação, menciono apenas essa, entre muitas outras ensinadas por essa sabedoria milenar. para atingirmos estado de equilíbrio energético.

E com isso em mente, destaca-se que para Ayurveda, nos não somos apenas o que comemos, mas sim o que conseguimos metabolizar/digerir. Caso não ocorra corretamente, mesmo o alimento que, aparentemente pareça saudável, pode liberar toxinas que no adoecem a longo prazo. 

 

 

Para quem quiser saber mais, continuei o assunto em outro post, falando sobre os doshas e alimentação AQUI.

 

Espero que estejam gostando,

Com amor.

Luísa.  

 

 

 

 

 

 

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